domingo, 20 de maio de 2007

TRÊS DIAS DE CEGUEIRA

«Muitas vezes, penso que seria uma benção se cada ser humano pudesse ser completamente cego e surdo durante alguns dias no início da sua vida adulta.» Esta é uma célebre citação retirada do famoso ensaio de Helen Keller «Três Dias Para Ver».

Na sua qualidade de invisual, Helen Keller achava incompreensível que amigos e familiares não apreciassem verdadeiramente as paisagens que os rodeavam. Certa vez, pediu a uma amiga que acabara de regressar de um passeio pelos bosques que lhe contasse o que vira. «nada de especial», replicou a amiga.

Esta resposta deixou Helen tão desapontada como atónita: como era possível caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota?

Recorrendo apenas ao tacto, Helen era capaz de sentir a extraordinária beleza das coisas: a delicada simetria de uma folha entre os seus dedos, o balanço suave de um galho ao sabor da brisa, o calor do sol nos misteriosos contornos da casca das árvores.

O seu coração devia agitar-se no desejo de ver todas essas coisas que apenas podia tentar imaginar; como saber verdadeiramente o que é uma árvore sem nunca ter visto árvore alguma?

«Se o mero tacto basta para me dar tanto prazer», especulava ela, «quanta beleza não será revelada pela vista?»

Por isso, ponderou o que mais gostaria de ver se lhe fosse dado o dom de ver durante três dias. No primeiro dia, convidaria os seus amigos mais queridos e olhá-los-ia prolongadamente no rosto, gravando a beleza deles na memória. No segundo dia, visitaria museus para adquirir um relance da história do Mundo ou iria a galerias, cinemas e teatros para mergulhar na alma da Humanidade através da arte. No terceiro dia, deambularia pela cidade para apreciar as vistas e a beleza da vida quotidiana.

A beleza irresistível da Natureza e da civilização humana era o que Helen Keller aspirava ver. Mas se tivesse tido, efectivamente, a oportunidade de ver tudo, talvez concordasse que no Mundo há certas coisas que mais vale não serem vistas. Podia muito bem ter sofrido uma desilusão ao constatar como certas coisas se tornam tão mais chocantes e violentas quando acompanhadas pela visão e pelo som.

Pensar em corpos mutilados nos campos de batalha, na destruição infligida por terroristas fanáticos, no rosto de uma criança cujos pais foram mortos por soldados implacáveis. A cegueira pode ser uma bênção num mundo inexorável e perverso.

Se eu fosse «abençoada» com três dias de cegueira e surdez, como Keller sugere na sua dissertação, aprenderia certamente a apreciar melhor a imagem e o som. A escuridão e o silêncio suscitariam em mim uma nova alegria por ver e ouvir e permitir-me-iam perceber quanto tenho substimado vista e ouvido na minha vida de todos os dias.

Mas antes que os três dias terminassem, a escuridão e o silêncio proporcionar-me-iam também algo mais.

No primeiro dia, teria o prazer de não ouvir nem ver as chicanas políticas ou os resultados do despotismo; seria poupada às manifestações de falta de diplomacia e à incrível miopia de algumas visões do Mundo.

No segundo dia, ficaria aliviada por não ter de ver as notícias deprimentes de assassínios, raptos e suícidios, batalhas e guerras, confrontos e manifestações que inundam a televisão. Seria um alívio não ter de ver os rostos desesperados dos reféns à espera de ser executados a sangue frio por terroristas encapuzados.

No terceiro dia, à medida que se aproximasse a última hora, teria de me preparar para voltar a enfrentar a dureza da realidade quotidiana.

Se a notável Helen Keller ainda estivesse entre nós, gostaria de lhe dizer que, para mim, «três dias de cegueira e surdez» não seriam assim tão maus. Pelo menos do prisma de alguém que é confrontado diariamente com um mundo muitas vezes sombrio e deprimente.

27 comentários:

ATIREI O PAU AO GATO disse...

Ena Crys, tinha saudades de ler a expressão da tua alma.
É um paradoxo, não é? Um mundo tão estranhamente doloroso e ao mesmo tempo tão fabulosamente belo e incrivelmente encantador.
Tenho para mim, gosto de pensar que assim seja, que ainda assim nos compete na nossa reduzida esfera de influência para nada de mal para outrém decorra das nossas acções. Pode parecer idealismo mas neste sentido é bom que sejamos idealistas, no sentido simples de termos ideais e de acreditarmos que vivemos em conformidade com eles, isto é, vivemos como pensamos que devemos viver e que esse é o primeiro mecanismo de que se pode fazer um mundo que ainda mais desse razão à imaginação de Helen Keller. Alguns dirão que é pouco mas não é e se pensarmos bem, provavelmente é mais fácil de fazer do que à primeira vista pode parecer.
Uma semana cheia de encantos para ti, Crys que o vento te leve o fervilhar do mar suave nas folhas das árvores das avenidas por onde passas.

Luís

ATIREI O PAU AO GATO disse...

E com isto tudo esqueci-me de te dizer o quanto me encataram estas tuas palavras. As minhas desculpas por isso.

Tudo de bom para ti, Crys

Luís

AGRIDOCE disse...

Qual quê?
Cego 3 dias? Voluntariamente? Toc! Toc! Toc!
Prefiro ficar de olhos abertos e ver bem tanta beleza. Enquanto é tempo!
Mas gostei muito do texto postado.
Bjs

o alquimista disse...

Os teus pés são navegantes na espuma, o teu cabelo dança em descuidada ironia, suave viagem de ondulante onda em tua boca, duas sílabas sopradas em mágica melodia…

Bom domingo

Doce beijo

Késia Maximiano disse...

ricas palavras..
bjosss

LB disse...

Belo texto Crystalzinho. Gostei.

Beijinho

Crystalzinho disse...

Luís
Obrigada pelas tuas palavras que são sempre tão carinhosas.
É um prazer receber-te nesta minha humilde casinha que fica mais bela com a tua presença.
Boa semana
Bjs

Agri
Então mantem-me esses olhos bem abertos, depois não vais ter desculpa para dizer que não viste!! Estás a ver??
Bjs

Alquimista
As tuas palavras são sempre de enorme beleza.
Boa semana
Bjs

Késia
Obrigada pela visita. As portas ficam abertas para que possas entrar sempre que queiras.
Bjs

LB
O que meteste tu no teu blog que agora não me deixa lá entrar. sempre que tento, ele dá uma incompatibilidade qualquer e desliga-me a net.
Por acaso não estás a ser vitima da censura, não?
De qualquer forma, sempre que poder no trabalho, vou tentar ir visitar-te.
Boa semana
Bjs

inespimentel disse...

Aqui vim hoje encontrar um estado de espírito semelhante áquele em que me encontro!

Será que se tivessemos mulheres a determinar o rumo da humanidade os acontecimentos que nos despedaçam o coração em mil estilhaços seriam banalizados como parecem ser actualmente?
Será que os governos continuariam a optar pelas armas no lugar de combater a fome, a miséria, a inaceitável desigualdade de oportunidades de quem nasce já com um destino de sofrimento traçado?

inespimentel disse...

... e parabéns, o teu texto é prova de grande sensibilidade, inteligência e maturidade!
Levanta a voz, faz-te ouvir sempre que possas...

KA disse...

Cristalzinho,

Excelente post.
De facto nem sabemos o que temos até que nos falta.

Beijinho

Cris disse...

Temos a beleza à frente dos olhos, e teimamos em olhar o chão.

Excelente texto!

Um beijinho
Cris

Rafeiro Perfumado disse...

Só aprendemos a apreciar o que temos (ou tinhamos) depois de o perdermos. É assim com as pessoas, com os sentimentos, com tudo...

Papoila disse...

Cristalzinho:
Grata pela visita ao campo que me trouxe a este teu canto.
Uma maravilha de texto pr quem tem uma sensibilidade fora de comum e a exprime deste modo.
Parabéns pelo texto.
Beijo

Capitão-Mor disse...

Excelente post! Agradeço a tua passagem nos trópicos...

xistosa disse...

Nem por experiencialismo experimental, duma qualquer experiência, mesmo experançosa, (adoro as palinfrasias e como nunca poderão confiar no que escrevo, redundam sem reduzir).
Bastam-nos as horas em que, não aguentando as persianas subidas, dormimos e nos "alheamos" do mundo.
Tenho como referência a cegueira, como doença especial ou a consequência de inúmeras outras doenças dos olhos.
Não à cegueira do desvairamento, fanatismo ou até ignorância.
Da cegueira moral, com toda a preversão profunda dos sentimentos altruistas.
A cegueira psíquica em que a mente não reconhece os objectos que "vê".
A cegueira verbal, com a impossibilidade de ler e, ou compreender sinais ou símbolos escritos.
Mas que seja cego e não inconsciente, alucinado, desvairado, obediente à obediência absoluta ... escuro.
Não tenho maneira de me exprimir para dar uma resposta, pois penso que não se pode "escrever" um estado físico que se sente.
O mundo das trevas deve ser tenebroso, com monstros disformes, torpes e hediondos.
Agora a tudo isto, juntemos-lhe a surdez ...
Não, não vou responder e vou ser egoista:
Cego é aquele que não vê o seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria.
E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

Já gastei o papel e tinta.
Desculpem-me a verborreia, mas não posso deixar de postar aqui, algo que li neste mundo, afinal tão "real"


"Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.

Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.

A sua cama estava junto da única janela do quarto.

O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.

Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias...

E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.

O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.

A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos.

Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.

Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar:
Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.

Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.

Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca.

Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a Enfermeira deixou o quarto.

Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!

O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.

A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem ..."

Ainda bem que estou em "casa" alheia ...
Vou passa a ser mais curto.

Diabólica disse...

Passei apenas para te deixar um beijinho e te fazer um convite

P:S- Passa na minha casa, tenho lá um artigo sobre ORGASMOS FINGIDOS e gostava de recolher a tua opinião.

Beijinhos e boa semana.

Crystalzinho disse...

Inês
Também acho que fazem falta mais mulheres nas tomadas de decisão deste e de outros países. Encarar o mundo de uma forma mais maternal seria, concerteza, uma grande mudança na mentalidade.
Existem tantas injustiças que deveriamos concertar num esforço conjunto, mas cada vez mais vejo aumentar! Enfim, já perdi a esperança de vir a ver um mundo perfeito mas ainda mantenho a fé de que os corações dos homens se humanizem.
Beijos

Ka
E isso é uma triste verdade. Devíamos valorizar mais as pequenas coisas, no fundo a vida é feita delas.
Precisamos de dinheiro para viver, é verdade... mas queremos sempre mais do que o que verdadeiramente necessitamos e para isso, abandonamos os nossos pais, os nossos filhos, os nossos amigos. Será que isso alguma vez vai valer a pena? Será que estarmos rodeados de bens materiais, amigos interesseiros, nos vai tornar pessoas mais felizes?
Existe felicidade maior do que estarmos rodeados de amor?
Tantas perguntas e sempre tão poucas respostas!
Bjs


Cris
Eu acho que temos medo de ver! Descobrir que não gostamos daquilo que estamos a ver!
Bjs


Rafa
Por isso nunca deixes de me vir visitar, que eu não quero saber o que é perder-te.
Bjs

Papoila
Obrigada pelas tuas doces palavras.
Bjs

Capitão
Sabes que os trópicos são o meu lugar favorito.
Bjs

Xistosa
"Cego é aquele que não vê o seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria.
E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores."
Acho que conseguiste dizer tudo nestas duas frases magníficas, e magnifica é a história que partilhaste.
Somos todos um pouco cegos, e sofremos do pior tipo de cegueira... a moral.
Deixamos de ver os outros que nos rodeiam.
Bjs

Diabólica
Mete a chaleira ao lume que eu estou a caminho da tua casa.
Bjs

Sei que existes disse...

Acho que, como na maioria das vezes, não damos valor ás boas coisas ou capacidades que temos!...
Eu, pessoalmente, prefiro nunca deixar de ver! Evidentemente prefiro ver o belo, mas com visão ou sendo cega, o sofrimenteo existirá sempre... por isso, gostaria de preservar a minha visão para sempre!...
Beijocas

brit com disse...

Este blog foi nomeado para o prémio "Blog com Tomates". Para mais informações visite http://blogcomtomates.blogspot.com

ci disse...

maior cego do que aquele que n quer ver o que está na frente do nariz é impossivel....

beijos incomuns da ci

Moinante disse...

Votos de um bom fim de semana .

" Toma um pedaço de mim … "

Kalinka disse...

Olá Crystalzinho
ADOREI ler este teu post, vem no seguimento de que, cada dia dou mais valor ao que vejo e ao que me rodeia...a prova é precisamente o meu passeio pelo Alentejo, ver...ver e apreciar, quando outras pessoas me diziam: aqui não há nada para ver!!!

Celebrei os dons da terra e misturei-me com os sons do mundo sem coisa alguma...fui durante 4 dias de mini-férias para o Alentejo profundo.
Comecei por Estremoz e fui em seguida para Évora e daí em diante.

Pelo kalinka poderás ler sobre o meu «Même»:
"Para ser grande, sê inteiro:
nada Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a LUA toda
Brilha, porque alta vive.
"Ricardo Reis"

Beijinhos.
Bom fim de semana.

Nanny disse...

Li este teu texto 2 ou 3 vezes e só hoje ganhei coragem para te comentar...

Tenho muito respeito e admiração pelos invisuais e não sou capaz de imaginar o que seria viver sem visão.

Tal como tu às vezes apetece-me fechar os olhos e os ouvidos e esquecer este mundo que me rodeia, mas depois ía sentir falta até das coisas mais pequeninas e dos sons mais inaudíveis...

Olha, sabes que mais, deixo-te um abraço sentido, que para ele não precisas de ver nem ouvir.

pé descalço disse...

Crystalzinho

um post assim
cheio de sentimento
faz todo o sentido
que a vida perde muitas vezes
no meio de tantos interesses
despresiveis e obscuros...

eu cá por mim se me permites, recomendava três dias de cegueira ao governo, mas a viver com o salário minimo e a dormir na rua...já que eles vêm bem demais apenas na direcção do umbigo das suas familias e apaniguados...

Bjs

Teresa disse...

Olá ! Passei só para deixar uma beijoca e dizer que não me esqueci de ti... só que o tempo tem sido pouco :(

Crystalzinho disse...

Sei que existes
Que nunca deixes de ver e que aprecies sempre a beleza que nos rodeia.
Bjs


Brit com
Mas que privilégio!! Eu a pensar que nunca iria ter tomates!! E agora fui homenageada com dois belos exemplares. Vou lá receber a honra e dar a conhecer os meus nomeados.
Bjs


Ci
E não é? Bota cego nisso!
Bjs


Moinante
Obrigada pelo pedaço de ti que partilhaste.
Bjs


Kalinka
O Alentejo é a calma que precisamos para recuperar energias e tornar a alma mais leve.
Bjs


Nanny
Como gostei do teu abraço, fiquei sem palavras.
Bjs


Pé descalço
Essa seria uma grande prova. Possivelmente compreenderiam o sofrimento que provocam a muitas famílias. Perceberiam que palavras, são apenas palavras mas que podem matar muitos sentimentos.
Bjs


Teresa
Eu compreendo e como compreendo! O tempo parece que foge e cada vez conseguimos fazer menos coisas.
Volta sempre que possas.
Bjs

Crystalzinho disse...

Brit

Fui lá para aceitar o prémio e não sei se deixei as minhas nomeações no sítio adequado, mas vou transcreve-las para aqui e espero que as leias.

É uma honra receber esta nomeação pelas mãos de alguém como a Inês Pimentel. Tal como ela, eu sinto que existe muito de mim no blog dela. Obrigada Inês.

Os meus nomeados são:

Agridoce (belgiumtugadois.blogspot.com)Pelas mensagens que nos transmite, pelo mundo que nos dá a conhecer

Largo da Graça (lagra.blogspot.com) Pelos debates sempre interessantes que nos lança e por nos obrigar a pensar na realidade que nos rodeia

Xistosa (nadirzenite.blogspot.com) Pela sua irreverência e pela forma humorada como faz os seus comentários

Diabólica (o-folhetim-da-diabolica.blogspot.com) Porque é uma mulher com tomates, que nos dá a conhecer o que vai mal nesta sociedade e que não fica calada perante essas situações. A ela a minha profunda admiração.