PASSEIO MONOLOGADO
Que mágoa é essa!
Vem, dá-me a mão, senta-te aqui comigo neste banco no alto de Santa Catarina, junto ao Adamastor, avatar dos nossos pesadelos.
Vem, dá-me a mão, senta-te aqui comigo neste banco no alto de Santa Catarina, junto ao Adamastor, avatar dos nossos pesadelos.
Olha, com a tua alma panorâmica, o Tejo em toda a sua largura.
Se viesses lá de longe, do mar, vias Lisboa erguer-se numa bela visão de sonho, sob o azul inédito e vivo do céu, que o sol anima e fecha no esquecimento a existência misteriosa dos astros.
São sete colinas, postos de observação, massas de casas irregulares e coloridas.
Materna, campo na cidade, gentes e bichos, Lisboa tem cheiro a maresia, eterna criança do destino.
Sorri sem olhos tristes, diz devagar coisa nenhuma, não deixes os anos morrer dentro de ti, os destinos vivem-se como outra vida.
Não penses nos dias, nas horas e minutos destes anos de vida que passaram, nem nas máscaras que são anónimas, nem nas fomes insatisfeitas.
Pensa em tudo o que deste, diz obrigada.
Não peças palavras, nem baladas, nem experiências.
Deixa o desespero ou o medo, renasce a toda a hora, deixa a vida exprimir-se sem disfarces.
Vê o mar e ouve o vento que murmuram a poesia das coisas a insinuarem-se no coração.
Olha o Tejo e o espaço de partida do mar.
Lisboa é o mundo para onde se vai e volta.
Anda daí sonhar e circum-navegar.
Mas voltando sempre por aquele mar e este rio, para esta Lisboa sempre nossa.
Sabendo que a vida é breve, o tempo foge, que é preciso escolher o que não morre, o que podemos saborear como se estivéssemos na eternidade.
Vá, não chores.
Ouve o poeta:
“Alma minha, brandinha, vagabunda,
Do corpo acompanhante e moradora
A que paragens vais subir agora,
Assim tão lívida, e rígida, e tão nua?
Deixarás de gozar o que hoje gozas.”
Vem, dá-me a mão, vamos embora e sorri…
56 comentários:
Obrigada Crys, muitíssimo obrigada por me deixar ver daqui a outra margem, as arribas de Murfacem que se afoitam em braço esticado na direcção do espelho liquefeito, onde o rasto do ferry da Trafaria se vai desfazendo na calmaria de um deleite sobre a cabeleira de verde bravo que se estende na crista do planalto, enquanto a Miolai lê poemas de Ginsberg para o Rui que, de braços abertos, tenta enlaçar um veleiro de cabeça bem levantada que parte na direcção da largueza do oceano, ao que a Beatriz sorria, dizendo que melhor seria um piquenique, ali mesmo, quando a Lua em fogo se erguesse naquele horizonte à medida que o céu escurcesse sem estrelas. E não é que fazíamos esses serões de música junto da estatua com os olhos postos na foz?
Que o seu fim-de-semana tenha sido tão encanto quanto o foi a memória de uma juventude vadia e vagabundo pelos encantos que Lisboa então oferecia e que ainda hoje oferece.
É lindo o que escreves, Crys.
Luiís F. de A. Gomes
Não conheço o poeta, sei que David Mourão Ferreira o traduziu, li algures, dele, algo parecido, sei que de Santa Catarina, se chegavam ás "bolas de Berlim", calcorreando o "monte" do "imperador mecânico da Bica", será este o nome do "bicho" ?
Há anos que não visito Lisboa.
Nado na Invicta, nunca chorei a inópia de elevadores. Não há nenhum!
Mas vindo das margens do "monstro", num inverno caudaloso, "em rapel", alcançámos o topo.
A máquina fazia-se pagar, para nos transportar.
A cereja nos píncaros, era uma modesta fábrica, de bolos e de bolas de berlim, capital da goluseima, em plena Lisboa.
Os grandes, (crescidos), frequentavam uma igreja protestante, em Sta. Catarina. Nunca fui à missa e assim soboreava as ditas bolas de Berlim. Mantenho-me fiel a esses tempos.
Será necessário?
Já se apagaram as imagens, que eventualmente, poderia ter lobrigado. Nem sei se seria um rio-mar, se o mar dum rio!
Depois de cair no abismo, tentamos soerguermo-nos.
Não eram "goluseimas".
Tinham mais açúcar e eram guloseimas.
Eram outras receitas, para as mesmas bolas de Berlim.
Muitas vezes a gulodice, léva-nos a isto!
Cumprimentos e obrigado pelo corrector!
Olá cristalzinho..obrigada pela tua visita..só passei para te dar um abraço,
depois volto outro dia...
Beijos
Gosto da tua visão de Lisboa, esta cidade também exerce para mim o mesmo fascínio mas tenho pena de não ter muito tempo para desfrutar de um bom passeio...
Qualquer dia passarei por ti por uma das sete colinas e olharei a mesma paisagem com olhos diferentes mas cheios do mesmo prazer silencioso...
Abraço forte
PS: E sim, gosto de leões, lobos há poucos em peluche... :P
olá!!!
tgostei muito deste diálogo!
Ah! e do poeta também!
Bj
Estou a adorar o passeio! Paremos agora para tomar um café. Anda, eu ofereço. Mas senta-te, por favor, gozemos um pouco este sol pátrio antes de continuarmos o passeio.
Beijos e obrigada por trazeres para tão perto Lisboa tão distante.
Beijos
Hei ! eu já dormi junto ao Adamastor...na relva...bem fixe e quando acordei ainda de ressaca tinha uma esplanada mesmo ao lado pra tomar o p. almoço!! Bem fixe! lololololo e que paisagem!
beijo amiga!
Afinal continua o teu passeio, já com laivos de demanda ou epopeia.
Amas esta cidade que talvez não te mereça, Crystalzinho...
Um beijo, com muita ternura.
pois é, foste escolher um sitio em lisboa cheio de contradições...
muita coisa se passa nesse local.
Revi a Lisboa que amo, Cristalzinho
Beijinhos
Gostei muito deste texto e foi bem rematado com frases do grande Imperador Adriano!
Boa semana.
Olga
Luís, enquanto conseguirmos manter as nossas recordações, podemos sempre voltar a ter momentos de felicidade.
Recordar é viver
Bjs
Xistosa, tem de me dizer onde ficam as maravilhosas Bolas de Berlim que eu vou ver se ainda existem!! É que sou louca por essas guloseimas! Agora só conheço uma fábrica que fica na Almirante Reis e que servem Bolas de Berlim e outros bolos, quentinhos, a qualquer hora do dia e da noite... uma delícia.
Tem de voltar a Lisboa para ver como continua menina e moça e tão linda!
Bjs
João, volta quando quiseres e puderes estarei à tua espera.
Bjs
Lobo, tens de arranjar tempo para passear... olha que daqui a uns tempos são essas as lembranças que nos fazem bem!!
Espero que um dia nos encontremos num desses passeios contemplativos e que tu tenhas arranjado tempo para apreciar a paisagem!!
Bjs
P.S.: Mas existem umas águias de peluche tão giras!!!
Elsa, ainda bem que gostaste minha linda.
bjs
Pitucha, e também queres uma das bolas de berlim do Xistosa? Para mim vinha mesmo bem com o café!
Adorei passear na tua companhia e obrigada pelo café.
Volta sempre para aproveitar um pouco deste nosso lindo país.
Bjs
Sam, só tu!!
Tinhas de dormir aos pés do adamastor e de resaca!
O Adamastor deve ter ficado aterrorizado!!
Obrigada pela visita amigo
Bjs
Angel, lá estás tu a implicar com o meu passeio!!
O outro dizia para o deixarem trabalhar eu digo para me deixarem passear...
Nós é que não a merecemos Angel, maltratamo-la tanto!
Bjs
Francis passa-se em tantos outros lugares também.
Bjs
Marta que esse amor nunca se apague nem em ti e nem em mim.
Bjs
Olga, obrigada pela visita. Volta sempre a esta casinha que gosta de te receber.
Bjs
Ib, obrigada.
Bjs
tu sempre igual a ti própria....:)
beijos incomuns
Quando Cheguei ao barreiro e apanhei o barco que atravessa o Tejo , para trás ficara a viagem de comboio , cheguei a Lisboa com saudade do Alentejo ...
Um craveiro numa água furtada
cheira bem, cheira a Lisboa ...
A varina roliça , sobe a Madragoa apreguando peixe fresco o cheiro de Lisboa ...
Hoje deu-me para isto ...
Continuação de uma boa semana .
(estendendo a ma... a patita)
é essa a minha cidade, a minha terra!
Sim, Lisboa à semelhança de Roma, é uma "cidade eterna". O sentimento que aqui se respira nunca terminará, por muitas mudanças que se verficam. Gostei muito deste blog!
Então vamos...
Bonito cântico a essa parte de Lisboa.
E vê-la do ar, ao pôr-do-sol, tem um sabor redobrado. Não sei se será por se estar a caminhar "para" o aeroporto. Talvez.
Bjs
Olá, Crystalzinho !
Eu sou a Kristal !
Beijos do Rio de Janeiro
Olá, Crystalzinho !
Eu sou a Kristal !
Beijos do Rio de Janeiro
Olá, Crystalzinho !
Eu sou a Kristal !
Beijos do Rio de Janeiro
Ci, beijocas também para ti
Moinante, a calma do Alentejo em nada tem a ver com o reboliço de Lisboa mas a beleza essa não fica nada atrás.
Bjs
Agarrando a patita do Rafa e partindo à descoberta de Lisboa...
Bjs
eu mesma, é a nossa cidade a nossa terra e não a trocaria por nenhuma outra!!
Bjs
Alba, de Lisboa posso falar mas de Roma, por enquanto, não... mas adoraria conhecer! Deve ser linta também.
Bjs
Tri, já estou a seguir-te!
Vamos nessa.
Bjs
Agri, pois tem! Quando se começa a observar a aproximação de Lisboa, vindo de avião, é uma emoção... o estuário do Tejo e as suas pontes... que bela imagem.
Bjs
Kristal, que engraçado! Tão perto de nome e tão longe na localização.
Vou visitar-te.
Bjs
53/54 anos, são muitas bolas de berlim, (não eram de Berlim, eram mesmo de berlim).
Saía do 233, salvo erro, no 2º andar, mesmo por cima do "Forcado", na R da Rosa. Fui à sua inauguração. (era Vip, pois uma tia avó era dona e moradora do prédio)
Descia-se a rua, virava-se para a R. da Atalaia e descia-se ... mas com lógica, "sempre para baixo", era uma transversal, com o pomposo nome de Travessa ...???. Não era das bolas de berlim, "comi-lhe" o nome, na voragem dos anos.
Vinha(m) num pedaço duma folhita de papel ("pardo" ... mas como tudo reluzia, nesse tempo!).
Eram supimpas !
Nem a arqueologia as encontrará, quiçá uma arqueografia.
Tenho pena de não conhecer bem Lisboa...
Um Beijo para ti!
Como não há letrinhas novas deixo apenas beijos e os votos de um bom fim de semana. :-)
Adoro revisitar Lisboa pelas tuas mãos, mas hoje senti aqui um travozinho a melancolia e a tristeza...
Um sorriso para ti e bom fim de semana
:-)
Xistosa, é uma pena que o tempo nos leve tantas coisas boas...
... ficam para sempre as lembranças.
Bjs
Sem sono, Lisboa está aí à tua espera!! Vem conhecê-la, não te vais arrepender.
Bjs
Angel, bom fim de semana também para ti.
Vou inspirar-me para escrever alguma coisa.
Bjs
Nanny, a tristeza e a melancolia fazem parte da vida... quem nunca as sentiu?
Bjs
È linda a tua linguagem,como "despejas" as palavras num sentido único e formal.
Desejo-te um óptimo fim de semana
Beijinhos Zita
Entre Linhas, obrigada e bom fim de semana também para ti.
Bjs
Gostei muitissimo do texto!
Beijinhos.
Obrigada Dara.
Bom fim de semana.
Bjs
Com a idade, vamo-nos deteriorando com o uso.
É inato!
Talvez os sapos tenham ultrapassado o conhecimento humano ou inumano, mas parece-me que, se mantiveram no seu devido lugar, salvo os salticos, para o problema.
Não me diga que são saltimbancos!
Xistosa
Saltar dos problemas era o que eu gostava de ter aprendido. Saltibancos também não era mau.
Bjs
Enviar um comentário